Dois farmacêuticos da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) estão entre os pesquisadores destacados em um levantamento internacional de impacto científico. Antoniana Ursine Krettli, da Fiocruz Minas, e Daniel Pereira Bezerra, da Fiocruz Bahia, aparecem tanto no ranking de citações recebidas em 2025 quanto na classificação que considera o impacto da produção científica ao longo de toda a carreira.
Elaborado pelo pesquisador John P. A. Ioannidis, da Universidade Stanford, nos Estados Unidos, em parceria com a editora científica Elsevier, o levantamento utiliza dados da plataforma Scopus e considera indicadores relacionados às citações e à contribuição dos pesquisadores para a produção científica.
Graduada em Farmácia e Bioquímica pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Antoniana Krettli também possui formação em Medicina. Sua trajetória na pesquisa é marcada por estudos sobre malária e doença de Chagas, além da investigação de novas estratégias para o desenvolvimento de medicamentos contra doenças parasitárias.
Já Daniel Bezerra é graduado em Farmácia, na modalidade Industrial, pela Universidade Federal do Ceará (UFC), onde também concluiu mestrado e doutorado em Farmacologia. Na Fiocruz Bahia, atua na área de oncologia experimental, investigando substâncias naturais e sintéticas com potencial antitumoral.
Para o presidente do Conselho Federal de Farmácia (CFF), Walter da Silva Jorge João, o reconhecimento internacional reforça a contribuição dos farmacêuticos para o avanço científico e para a saúde da população.
“A presença de farmacêuticos entre pesquisadores de destaque internacional demonstra a importância da nossa profissão para a produção de conhecimento, a inovação e o desenvolvimento de novas estratégias terapêuticas. Valorizar esses profissionais é reconhecer que a Farmácia também tem papel fundamental nos laboratórios, na pesquisa científica e na busca por soluções para os desafios da saúde”, destaca Walter Jorge João.
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (2610) o registro do medicamento Cejemly (sugemalimabe). O produto, em associação com quimioterapia à base de platina, é indicado para o tratamento de primeira linha de adultos com câncer de pulmão de células não pequenas metastáticas sem mutações sensibilizantes do EGFR ou mutações genômicas tumorais ALK, ROS1 ou RET.
O sugemalimabe é um anticorpo monoclonal que reverte a supressão da resposta imune mediada, restaurando a atividade dos linfócitos T e aumentando a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e eliminar células tumorais.
O câncer de pulmão de células não pequenas representa aproximadamente 80% a 85% dos casos de câncer de pulmão e é frequentemente diagnosticado em estágios avançados da doença, quando as opções de tratamento são mais limitadas. No Brasil, a doença permanece entre as principais causas de mortalidade por neoplasias, reforçando a importância da disponibilização de novas alternativas terapêuticas para esses pacientes.
Procedimento otimizado
O pedido de registro foi analisado por meio de procedimento otimizado de análise, com utilização parcial de ferramentas de reliance regulatório, nos termos da Instrução Normativa 289/2024. A Autoridade Regulatória Estrangeira Equivalente (AREE) foi a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). A análise do Cejemly foi realizada durante o projeto de análise otimizada da GPBIO – Força Tarefa 2026 para análise de registro.
Primeira agência a trabalhar com checagem de informações no Brasil, a Lupa acaba de lançar um relatório que aponta que 87,3% de conteúdos virais sobre saúde, analisados entre março de 2017 e junho deste ano, eram falsos. O quantitativo faz parte de uma amostra de 764 materiais checados pela entidade, dos quais 667 foram considerados inverídicos. A publicação Raio-X da Desinformação em Saúde traz os detalhes do levantamento e contou com o apoio da Afya, um dos maiores grupos de ensino médico do país.
Em média, segundo o relatório da Agência Lupa, foram quase 72 falsidades virais em saúde por ano, ou seis casos por mês. Conteúdo viral é aquele que se espalha rapidamente pela internet e alcança um grande número de pessoas em pouco tempo, gerando alto engajamento, com muitas visualizações, curtidas e compartilhamentos em alta velocidade.
O volume explodiu na pandemia: em 2020 e 2021, a Lupa checou cerca de dez vezes mais conteúdos sobre saúde do que nos três anos anteriores. Foram 452 conteúdos virais. Essas mentiras se espalharam rapidamente a partir de estratégias como falsas autoridades divulgando promessas de cura e soluções simples para problemas complexos. Apesar disso, segundo a Lupa, esse padrão já era verificado antes do surgimento da covid-19, mas passou a aparecer em quantidade muito maior.
"Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima", afirma a fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila.
Essa técnica da falsa autoridade médica ou científica correspondeu a 21,6% dos casos de desinformação em saúde mapeados pela Lupa. Em seguida, o medo e a linguagem alarmista aparecem por trás de 17% das publicações falsas. Distorção de estudos e dados (15,7%) e soluções simples para problemas complexos (12,6%) completam as estratégias mais utilizadas na disseminação de conteúdos falsos em saúde.
“Hoje, o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para ajudar o paciente a navegar em um ambiente de excesso de informações, muitas delas sem respaldo científico”, afirma o vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, Gustavo Meirelles.
Ao longo dos últimos nove anos, os temas mais recorrentes nas checagens da Lupa sobre saúde foram covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%) e alimentos, bebidas e nutrição (24%).
Desinformação sobre vacina continua
Antes da pandemia de covid-19, conteúdos sobre vacinas correspondiam a 9,1% das checagens de saúde da Lupa. A proporção chegou a 33,2% durante a emergência nacional e a 38,9% entre 2022 e 2024. No período mais recente, entre 2025 e junho de 2026, esse volume recuou para 20%, mas segue sendo mais que o dobro do patamar pré-pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas no período completo, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas pela agência após checagem.
Ao menos 142 conteúdos analisados pela Lupa registravam a presença de figuras públicas, entre elas Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva. A presença dessas personalidades, segundo a agência, não significa que tenham produzido ou endossado a alegação, e indica que terceiros também se utilizam da reputação de pessoas conhecidas para espalhar desinformação.
Canais de circulação
O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação de desinformação em saúde nas verificações da Agência Lupa. Mais de 70% das 498 checagens analisadas entre março de 2017 e junho 2026 partiram de conteúdos que circularam ou foram encontrados no aplicativo de mensagens instantâneas mais usado no país. O Facebook aparece em segundo lugar, com 126 registros (25,3%), seguido do Instagram, com 35 (7%).
A pesquisa ressalva, porém, que os dados não permitem afirmar que o WhatsApp seja a origem dessas falsidades ou que concentre a maior parte da desinformação em saúde publicada na internet. A Lupa recebe pedidos de verificação por meio de um canal próprio no aplicativo, o que pode favorecer a identificação de conteúdos que circulam mais por ali. Além disso, uma mesma publicação pode passar por diferentes plataformas antes de chegar ao público.
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