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Iniciativa envolve avaliação clínica e análise regulatória para possível incorporação de medicamentos à base de semaglutida no sistema público de saúde

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O Ministério da Saúde avalia a realização de um estudo clínico com cerca de 250 pacientes para investigar a viabilidade do uso de medicamentos conhecidos como “canetas emagrecedoras” no Sistema Único de Saúde (SUS). A proposta envolve pessoas com obesidade grave e com doenças associadas, como comprometimento cardiovascular, em um contexto de atenção especializada.

Segundo informações do governo federal e de iniciativas em discussão na área técnica, o protocolo deve ser conduzido em um hospital de referência, com foco na análise de segurança, eficácia e impacto clínico dos medicamentos agonistas do GLP-1, classe que inclui substâncias como a semaglutida.

Paralelamente, o governo também discute estratégias para ampliar a capacidade de produção nacional desses medicamentos, hoje amplamente utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e, em alguns casos, da obesidade. A medida busca reduzir dependência externa e ampliar o acesso caso haja eventual incorporação ao SUS.

Atualmente, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mantém em análise diferentes pedidos de registro de medicamentos dessa classe, incluindo versões sintéticas e alternativas terapêuticas similares, dentro do processo regulatório habitual para avaliação de segurança e eficácia.

Especialistas destacam que a eventual oferta desses medicamentos na rede pública dependerá de avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), que analisa evidências científicas, custo-efetividade e impacto orçamentário antes de qualquer decisão de incorporação.

Por enquanto, não há implementação oficial das chamadas “canetas emagrecedoras” no SUS, mas sim estudos e discussões técnicas em andamento sobre seu possível uso em casos específicos de obesidade grave com alto risco clínico.

Estudo publicado na revista The Lancet mostra que, entre 2020 e 2024, não houve registro de mortes por câncer de colo do útero entre mulheres de 20 a 24 anos no país

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A vacinação contra o papilomavírus humano (HPV) está ligada a uma redução histórica na mortalidade por câncer de colo do útero na Inglaterra, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet, com dados analisados por pesquisadores da Queen Mary University of London e do Cancer Research UK. O levantamento aponta que, entre 2020 e 2024, não foi registrada nenhuma morte pela doença entre mulheres de 20 a 24 anos, um marco inédito desde o início da série histórica.

Os pesquisadores estimam que, desde a implementação do programa de imunização contra o HPV no país, a vacinação já tenha evitado cerca de 200 mortes por câncer de colo do útero. O estudo também indica que, nas coortes vacinadas aos 12 e 13 anos, a proteção contra os tipos de HPV de alto risco levou o risco de morte antes dos 30 anos a níveis considerados extremamente baixos pelos autores.

A análise reforça ainda uma tendência já observada em períodos anteriores. Entre 2015 e 2019, houve uma queda aproximada de 80 por cento nas mortes por câncer de colo do útero entre mulheres jovens de 20 a 24 anos, em comparação com décadas anteriores. Os autores relacionam essa redução diretamente à alta cobertura vacinal no Reino Unido, que chega a cerca de 90 por cento nessa faixa etária de vacinação escolar.

Especialistas envolvidos no estudo destacam que os resultados são um dos mais fortes indicadores já observados do impacto direto da vacina na prevenção de mortes por câncer. Isso porque o HPV é responsável por praticamente todos os casos de câncer de colo do útero, e a imunização impede a infecção pelos principais subtipos oncogênicos do vírus.

Apesar dos resultados expressivos, os pesquisadores reforçam que a vacinação não elimina a necessidade de rastreamento periódico, como o exame citopatológico e testes de HPV, já que nenhum programa de imunização cobre integralmente todos os tipos oncogênicos.

Os autores também destacam que os efeitos completos da vacinação tendem a se tornar ainda mais evidentes nas próximas décadas, à medida que gerações totalmente imunizadas alcancem idades mais altas, tradicionalmente mais associadas ao diagnóstico da doença.

Pesquisa com mais de 1 milhão de pessoas mostra redução de 38% em eventos cardíacos graves relacionados à Covid-19, especialmente entre idosos e pacientes com doenças crônicas

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A vacina atualizada contra a Covid-19 pode oferecer benefícios que vão além da prevenção de casos graves da doença. Um estudo publicado na revista científica JAMA Internal Medicine mostrou que pessoas vacinadas tiveram um risco cerca de 38% menor de sofrer eventos cardiovasculares graves associados à infecção pelo coronavírus, como infarto, acidente vascular cerebral (AVC), insuficiência cardíaca e morte por causas cardiovasculares.

A pesquisa analisou dados de mais de 1 milhão de veteranos dos Estados Unidos durante a temporada de vacinação 2024-2025. Os pesquisadores compararam indivíduos que receberam a vacina atualizada contra a Covid-19 junto com a vacina da gripe com aqueles que receberam apenas a vacina contra a influenza. Após oito meses de acompanhamento, os vacinados contra a Covid-19 apresentaram uma redução de 37,7% no risco de eventos cardiovasculares relacionados à doença. 

Os resultados foram mais expressivos entre pessoas com 75 anos ou mais e entre pacientes com comorbidades, como doenças cardiovasculares, diabetes, doença renal crônica e problemas pulmonares. Nesses grupos, além da redução proporcional do risco, o benefício absoluto também foi maior. Entre pessoas mais jovens, os pesquisadores não observaram diferença estatisticamente significativa.

Segundo os autores, a Covid-19 pode desencadear inflamações e alterações no organismo que aumentam a probabilidade de complicações cardiovasculares, mesmo após a fase aguda da infecção. Por isso, a vacinação continua sendo uma importante estratégia de proteção, especialmente para pessoas mais vulneráveis. 

Os pesquisadores destacam que o estudo é observacional e não comprova uma relação direta de causa e efeito. Ainda assim, os resultados reforçam evidências acumuladas ao longo dos últimos anos de que a vacinação contra a Covid-19 pode contribuir para reduzir não apenas casos graves e mortes pela doença, mas também complicações cardiovasculares associadas à infecção.