Evento integra a programação do IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas, que reunirá milhares de profissionais, pesquisadores e estudantes em Belém, de 11 a 13 de novembro.
A capital paraense será palco de um dos mais importantes encontros da Farmácia Estética brasileira. O VI Congresso Brasileiro de Farmácia Estética acontecerá nos dias 11, 12 e 13 de novembro de 2026, no Hangar Convenções e Feiras da Amazônia, em Belém (PA), integrando a programação oficial do IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas (CBCF).
Reconhecido como um dos principais espaços de atualização científica, capacitação profissional e debate sobre inovação na área, o congresso reunirá farmacêuticos, pesquisadores, docentes, gestores e especialistas de diversas regiões do país para discutir os avanços mais recentes da Farmácia Estética, uma das áreas de atuação que mais cresce no cenário farmacêutico nacional.
A programação contará com palestras, mesas-redondas, painéis e apresentações de experiências exitosas que abordarão os principais avanços, desafios, tendências e perspectivas da Farmácia Estética, promovendo a atualização científica, a troca de experiências e o fortalecimento da atuação profissional na área.
O evento também promoverá a integração entre profissionais experientes e farmacêuticos em formação, fortalecendo a troca de conhecimentos e incentivando o desenvolvimento de práticas baseadas em evidências científicas.
Ao integrar o IV Congresso Brasileiro de Ciências Farmacêuticas, o VI Congresso Brasileiro de Farmácia Estética amplia o diálogo entre as diferentes áreas das Ciências Farmacêuticas, reforçando o protagonismo do farmacêutico na promoção da saúde, do bem-estar e da qualidade de vida da população.
A expectativa é reunir milhares de participantes em Belém, consolidando o evento como uma oportunidade única para atualização profissional, networking e discussão dos desafios e perspectivas da Farmácia Estética no Brasil.
As inscrições já estão abertas e podem ser realizadas pelo site oficial do congresso. Acesse: https://congressocff.com.br
Uma mudança silenciosa, mas com potencial de transformar o cuidado de feridas complexas no Brasil, acaba de acontecer. Pela primeira vez, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou oficialmente a indicação de um gerador de ozônio medicinal para tratamento de feridas crônicas — um marco regulatório que coloca a ozonioterapia em um novo patamar dentro da medicina brasileira.
A autorização foi publicada em maio de 2026 por meio da Resolução-RE nº 1.760/2026 e contempla a linha Medplus, da empresa brasileira Philozon. Até então, embora o uso clínico do ozônio já estivesse presente em hospitais, consultórios e equipes multidisciplinares, qualquer aplicação em feridas era considerada “off-label”, ou seja, fora das indicações oficialmente registradas pela agência reguladora.
A Iniciativa representa algo considerado essencial na medicina moderna: a possibilidade de incorporar uma terapia complementar dentro de protocolos auditáveis, com equipamentos certificados e critérios técnicos definidos. Na prática, isso amplia a segurança jurídica para profissionais da saúde, incluindo farmacêuticos, e fortalece a incorporação da tecnologia em ambulatórios, clínicas especializadas, hospitais e atendimento domiciliar.
Para pacientes que convivem há anos com úlceras abertas, risco de amputação e limitações severas na qualidade de vida, o avanço pode representar algo ainda maior: uma nova alternativa terapêutica em um campo onde, muitas vezes, as opções já se esgotaram.
A cada 20 segundos, uma amputação
A nova autorização da Anvisa ocorre em um momento crítico da saúde pública mundial: o crescimento do diabetes e das doenças vasculares tem elevado drasticamente o número de amputações relacionadas a feridas que não cicatrizam.
E os números ajudam a explicar por que o tema desperta atenção internacional. Segundo a International Diabetes Federation (IDF), uma pessoa perde um membro inferior a cada 20 segundos no mundo em decorrência do diabetes.
O chamado “pé diabético” é hoje uma das complicações mais devastadoras da doença. Além do risco de amputação, estudos mostram que a mortalidade após a perda de um membro pode ultrapassar 50% em cinco anos, índices comparáveis aos de muitos tipos de câncer.
As úlceras venosas também representam um desafio crescente: afetam cerca de 1% da população adulta e frequentemente persistem por meses ou anos, mesmo com curativos especializados, antibióticos e terapia compressiva.
É nesse cenário que a ozonioterapia vem chamando atenção da comunidade científica e de diferentes categorias da saúde.
O que dizem os estudos?
Nos últimos anos, uma série de pesquisas clínicas passou a investigar o uso do ozônio medicinal como terapia complementar no tratamento de feridas crônicas. A evidência mais robusta até o momento foi publicada em 2024 na revista científica Current Pharmaceutical Design. A metanálise reuniu 11 estudos clínicos envolvendo 960 pacientes com úlceras de pé diabético e concluiu que a associação da ozonioterapia ao tratamento convencional esteve relacionada à redução do tempo de cicatrização, menor tempo de internação e uma diminuição de aproximadamente 54% nas taxas de amputação.
Outro estudo clínico controlado, conduzido por Izadi em 2019 com 200 pacientes, mostrou que o grupo tratado com protocolos abrangentes de ozônio alcançou 100% de cicatrização em até 180 dias, contra 75% no grupo submetido apenas ao tratamento convencional.
Já um ensaio duplo-cego publicado na revista Diabetes Technology & Therapeutics demonstrou taxas de cicatrização significativamente maiores no grupo tratado com ozônio em comparação ao grupo controle.
Embora especialistas reforcem que a ozonioterapia não substitui o tratamento médico convencional, os resultados vêm consolidando seu papel como terapia adjuvante em casos de difícil resolução.
Farmacêutico ganha protagonismo no cuidado de feridas
O avanço regulatório também reforça um movimento importante dentro da saúde multidisciplinar: a ampliação da atuação clínica do farmacêutico em terapias complementares baseadas em evidências.
No Brasil, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) reconheceu oficialmente a competência do farmacêutico para atuar com ozonioterapia por meio das Resoluções nº 685/2020 e nº 695/2020. As normativas consolidaram o uso da técnica dentro do escopo profissional farmacêutico, desde que realizado por profissionais capacitados e com equipamentos regularizados pela Anvisa.
Na prática, isso posiciona o farmacêutico como um integrante estratégico das equipes multidisciplinares que atuam no manejo de feridas complexas, especialmente em ambulatórios, clínicas integrativas, hospitais e serviços de atenção domiciliar.
Além da experiência em farmacologia, microbiologia e acompanhamento terapêutico, o farmacêutico tem papel relevante na avaliação de protocolos, rastreabilidade de produtos, controle de biossegurança e monitoramento clínico do paciente que pontos fundamentais em terapias que envolvem reparo tecidual e controle de infecção.
Especialistas destacam que o cenário atual exige cada vez mais integração entre diferentes áreas da saúde. Feridas complexas raramente dependem de uma única abordagem: exigem controle metabólico, manejo microbiológico, acompanhamento contínuo e estratégias para acelerar a regeneração tecidual. Nesse contexto, o farmacêutico passa a atuar não apenas no suporte técnico, mas também diretamente na construção de protocolos assistenciais modernos e personalizados.
Como o ozônio atua na ferida?
O ozônio medicinal é uma mistura gasosa controlada de oxigênio e ozônio aplicada em concentrações terapêuticas específicas. Seu mecanismo de ação tem despertado interesse justamente por atuar em diferentes frentes ao mesmo tempo.
Segundo os estudos, o ozônio possui ação antimicrobiana direta, ajudando no controle de bactérias e fungos frequentemente presentes em feridas crônicas. Além disso, estimula fatores de crescimento ligados à regeneração tecidual e melhora a resposta antioxidante do organismo, um ponto especialmente relevante em pacientes diabéticos, que convivem com intenso estresse oxidativo e baixa capacidade de reparo celular.
Na prática, isso pode favorecer a formação de novos vasos sanguíneos, estimular fibroblastos e acelerar o fechamento da lesão.
De terapia controversa a prática regulamentada
O reconhecimento da ozonioterapia no Brasil ocorreu de forma gradual ao longo das últimas décadas. O Conselho Federal de Odontologia foi o primeiro a regulamentar oficialmente a prática em 2015. Depois vieram fisioterapeutas, enfermeiros, farmacêuticos e biomédicos. Em 2018, o Ministério da Saúde incluiu a técnica entre as Práticas Integrativas e Complementares ofertadas pelo SUS.
Em 2023, a Lei Federal nº 14.648 autorizou o uso da ozonioterapia como procedimento complementar em todo o território nacional. Mais recentemente, em 2025, o Conselho Federal de Medicina (CFM) liberou a aplicação médica da técnica em dois cenários específicos: feridas crônicas e distúrbios musculoesqueléticos. Com a nova autorização da Anvisa, especialistas avaliam que o país entra em uma nova fase da ozonioterapia, agora sustentada não apenas por experiências clínicas e publicações científicas, mas também por um respaldo regulatório formal.
A campanha Respira + Brasil, promovida pelo Conselho Federal de Farmácia (CFF), em parceria com os Conselhos Regionais de Farmácia, foi um dos destaques da 61ª reunião do Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos (CNPURM), ocorrida na sede da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), nos dias 10 e 11 de junho, em Brasília.
A iniciativa do CFF capacita farmacêuticos para atuar no rastreamento e orientação de pacientes com asma e leva educação em saúde por meio de mobilizações realizadas em todo o País. A campanha começou no dia 5 de maio nas cidades de João Pessoa (PB), Belém (PA) e Manaus (AM) e integra a última etapa do curso de capacitação “Cuidado Farmacêutico à Pessoa com Asma”, oferecido gratuitamente pelo CFF para fortalecer o papel clínico do farmacêutico e para ampliar o acesso da população à informação sobre asma e o tratamento.
A coordenadora do setor técnico-científico do CFF, que está à frente do Programa, Josélia Frade, destacou que a campanha Respira + Brasil nasceu da necessidade de ampliar a formação dos profissionais e divulgar orientações qualificadas sobre a asma, que afeta cerca de 262 milhões de pessoas em todo o mundo e apresenta alta prevalência no Brasil.
A especialista explica que, apesar de todo o avanço nos últimos anos em relação ao acesso aos medicamentos para o tratamento desta condição, o subdiagnóstico, a falta de controle, o uso inadequado da terapia inalatória e a baixa adesão ao tratamento, entre outros fatores continuam impactando a vida de muitas pessoas.
“O nosso curso já alcançou mais de 13 mil farmacêuticos e estudantes de Farmácia. Esperamos contribuir para que os farmacêuticos e estudantes de Farmácia desenvolvam competências para o cuidado de pessoas com asma ou em risco de desenvolvê-la, por meio da prestação de serviços como o rastreamento e a educação em saúde. A campanha Respira + Brasil se consolida como uma estratégia que une capacitação técnica e atuação direta junto à população. É uma resposta da profissão a um direito fundamental de todo ser humano que é o de conseguir respirar”, pontuou.
Comitê Nacional para a Promoção do Uso Racional de Medicamentos
O CNPURM é um dos principais fóruns de articulação interinstitucional do país voltados à qualificação do uso de medicamentos. Vinculado ao Ministério da Saúde, o colegiado possui caráter consultivo e propositivo, reunindo representantes do governo federal, conselhos profissionais, entidades científicas, instituições de ensino, organizações da sociedade civil e organismos internacionais.
As discussões promovidas pelo CNPURM contribuem para o fortalecimento de políticas públicas voltadas à segurança do paciente, à prevenção de erros de medicação, ao enfrentamento da resistência antimicrobiana e à qualificação da assistência farmacêutica.Na 61ª reunião, o comitê apresentou os materiais “Como evitar a próxima catástrofe sanitária: resistência antimicrobiana” e “Resistência aos Antimicrobianos: recomendações de políticas de enfrentamento”, disponíveis no link https://idec.org.br/superbacterias, do instituto de defesa de consumidores. CFF contribui para a construção de estratégias nacionais
O CFF integra o CNPURM como membro permanente, contribuindo com a experiência dos farmacêuticos brasileiros para a formulação de estratégias e políticas voltadas ao uso racional de medicamentos. A participação da entidade fortalece a inserção da assistência farmacêutica nas discussões nacionais sobre segurança do paciente, acesso a tratamentos e qualificação do cuidado em saúde.
“A participação do CFF no CNPURM é especialmente relevante porque o farmacêutico é o profissional que atua na interface entre o medicamento e o paciente. Ele é o último profissional que o paciente tem acesso, na maioria das vezes, antes de iniciar um tratamento”, reafirma Josélia Frade.
Os farmacêuticos Pâmela Saavedra e Rogério Roefler são os representantes do CFF no Comitê.
Campanha Respira + Brasil
A campanha Respira + Brasil seguirá promovendo mobilizações em diferentes regiões do país ao longo do ano, ampliando o alcance das ações educativas e fortalecendo a atuação do farmacêutico no cuidado às pessoas com asma.
Nos dias 19 e 20 de junho, haverá ação em São Luiz, no Maranhão. Mais informações sobre o cronograma e as próximas atividades estão disponíveis no site do CFF da Campanha Respira + Brasil: https://site.cff.org.br/campanha/asma. Para se matricular no curso "Cuidado Farmacêutico à pessoa com asma" acesse a plataforma www.edufarma.cff.org.br.
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