A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (2610) o registro do medicamento Cejemly (sugemalimabe). O produto, em associação com quimioterapia à base de platina, é indicado para o tratamento de primeira linha de adultos com câncer de pulmão de células não pequenas metastáticas sem mutações sensibilizantes do EGFR ou mutações genômicas tumorais ALK, ROS1 ou RET.
O sugemalimabe é um anticorpo monoclonal que reverte a supressão da resposta imune mediada, restaurando a atividade dos linfócitos T e aumentando a capacidade do sistema imunológico de reconhecer e eliminar células tumorais.
O câncer de pulmão de células não pequenas representa aproximadamente 80% a 85% dos casos de câncer de pulmão e é frequentemente diagnosticado em estágios avançados da doença, quando as opções de tratamento são mais limitadas. No Brasil, a doença permanece entre as principais causas de mortalidade por neoplasias, reforçando a importância da disponibilização de novas alternativas terapêuticas para esses pacientes.
Procedimento otimizado
O pedido de registro foi analisado por meio de procedimento otimizado de análise, com utilização parcial de ferramentas de reliance regulatório, nos termos da Instrução Normativa 289/2024. A Autoridade Regulatória Estrangeira Equivalente (AREE) foi a Agência Europeia de Medicamentos (EMA). A análise do Cejemly foi realizada durante o projeto de análise otimizada da GPBIO – Força Tarefa 2026 para análise de registro.
Primeira agência a trabalhar com checagem de informações no Brasil, a Lupa acaba de lançar um relatório que aponta que 87,3% de conteúdos virais sobre saúde, analisados entre março de 2017 e junho deste ano, eram falsos. O quantitativo faz parte de uma amostra de 764 materiais checados pela entidade, dos quais 667 foram considerados inverídicos. A publicação Raio-X da Desinformação em Saúde traz os detalhes do levantamento e contou com o apoio da Afya, um dos maiores grupos de ensino médico do país.
Em média, segundo o relatório da Agência Lupa, foram quase 72 falsidades virais em saúde por ano, ou seis casos por mês. Conteúdo viral é aquele que se espalha rapidamente pela internet e alcança um grande número de pessoas em pouco tempo, gerando alto engajamento, com muitas visualizações, curtidas e compartilhamentos em alta velocidade.
O volume explodiu na pandemia: em 2020 e 2021, a Lupa checou cerca de dez vezes mais conteúdos sobre saúde do que nos três anos anteriores. Foram 452 conteúdos virais. Essas mentiras se espalharam rapidamente a partir de estratégias como falsas autoridades divulgando promessas de cura e soluções simples para problemas complexos. Apesar disso, segundo a Lupa, esse padrão já era verificado antes do surgimento da covid-19, mas passou a aparecer em quantidade muito maior.
"Um dos maiores desafios da desinformação em saúde é que ela se apropria da linguagem e da autoridade de médicos, pesquisadores e instituições para parecer legítima", afirma a fundadora da Agência Lupa, Cristina Tardáguila.
Essa técnica da falsa autoridade médica ou científica correspondeu a 21,6% dos casos de desinformação em saúde mapeados pela Lupa. Em seguida, o medo e a linguagem alarmista aparecem por trás de 17% das publicações falsas. Distorção de estudos e dados (15,7%) e soluções simples para problemas complexos (12,6%) completam as estratégias mais utilizadas na disseminação de conteúdos falsos em saúde.
“Hoje, o profissional de saúde precisa estar preparado não apenas para diagnosticar e tratar, mas também para ajudar o paciente a navegar em um ambiente de excesso de informações, muitas delas sem respaldo científico”, afirma o vice-presidente Médico e de Relações Institucionais da Afya, Gustavo Meirelles.
Ao longo dos últimos nove anos, os temas mais recorrentes nas checagens da Lupa sobre saúde foram covid-19 (61%), tratamentos, cura e prevenção (34%) e alimentos, bebidas e nutrição (24%).
Desinformação sobre vacina continua
Antes da pandemia de covid-19, conteúdos sobre vacinas correspondiam a 9,1% das checagens de saúde da Lupa. A proporção chegou a 33,2% durante a emergência nacional e a 38,9% entre 2022 e 2024. No período mais recente, entre 2025 e junho de 2026, esse volume recuou para 20%, mas segue sendo mais que o dobro do patamar pré-pandemia. Das 244 alegações sobre vacinas analisadas no período completo, 212 (86,9%) foram classificadas como falsas pela agência após checagem.
Ao menos 142 conteúdos analisados pela Lupa registravam a presença de figuras públicas, entre elas Jair Bolsonaro, Bill Gates, Drauzio Varella, João Doria e Luiz Inácio Lula da Silva. A presença dessas personalidades, segundo a agência, não significa que tenham produzido ou endossado a alegação, e indica que terceiros também se utilizam da reputação de pessoas conhecidas para espalhar desinformação.
Canais de circulação
O WhatsApp foi a plataforma mais frequentemente associada à circulação de desinformação em saúde nas verificações da Agência Lupa. Mais de 70% das 498 checagens analisadas entre março de 2017 e junho 2026 partiram de conteúdos que circularam ou foram encontrados no aplicativo de mensagens instantâneas mais usado no país. O Facebook aparece em segundo lugar, com 126 registros (25,3%), seguido do Instagram, com 35 (7%).
A pesquisa ressalva, porém, que os dados não permitem afirmar que o WhatsApp seja a origem dessas falsidades ou que concentre a maior parte da desinformação em saúde publicada na internet. A Lupa recebe pedidos de verificação por meio de um canal próprio no aplicativo, o que pode favorecer a identificação de conteúdos que circulam mais por ali. Além disso, uma mesma publicação pode passar por diferentes plataformas antes de chegar ao público.
Resolução do Conselho amplia as possibilidades de contribuição do farmacêutico para agilizar diagnósticos, apoiar as equipes de saúde e melhorar o atendimento à população
Conseguir um diagnóstico no tempo certo pode fazer toda a diferença na saúde e na qualidade de vida das pessoas. Para contribuir com esse objetivo, o Conselho Federal de Farmácia (CFF) aprovou, durante sua 572ª Reunião Plenária, uma resolução que regulamenta as atribuições do farmacêutico na operacionalização de equipamentos utilizados em procedimentos de rastreamento e monitoramento em saúde, em apoio à equipe de saúde.
A medida fortalece a participação do farmacêutico nas estratégias de ampliação do acesso a exames no Sistema Único de Saúde (SUS), contribuindo para que mais pessoas possam realizar procedimentos importantes para a avaliação de sua saúde. Entre eles estão o eletrocardiograma, que registra a atividade elétrica do coração, e a espirometria, que avalia a função pulmonar. Esses exames estão entre os procedimentos que podem enfrentar filas na rede pública.
A resolução foi apresentada ao plenário pelo conselheiro federal suplente de Farmácia pelo Rio Grande do Sul e membro do Grupo de Trabalho sobre Saúde Pública do CFF, Leonel Almeida. Para ele, a regulamentação representa um avanço na utilização das competências dos farmacêuticos para fortalecer a rede pública de saúde. “É o farmacêutico sendo mais um profissional para que se diminua as barreiras para o acesso ao diagnóstico no SUS”, afirmou Leonel.
Mais profissionais contribuindo para a saúde da população
A aprovação da resolução também acompanha o avanço das tecnologias digitais na saúde. O governo federal tem investido em equipamentos que permitem a realização de exames e o apoio ao telediagnóstico na APS, estratégia que pode facilitar o acesso a avaliações de saúde, inclusive em locais com maior dificuldade de oferta desses serviços.
Nesse cenário, a atuação do farmacêutico pode ajudar a ampliar a capacidade de atendimento das unidades de saúde, em colaboração com outros profissionais. A proposta é aproveitar conhecimentos e competências do farmacêutico para apoiar a realização dos procedimentos previstos na norma e contribuir para que os pacientes recebam assistência. “Esta resolução permite que o farmacêutico auxilie a cadeia de profissionais para um diagnóstico em tempo oportuno, dando maior resolutividade à rede de atenção à saúde”, destacou Leonel.
Com a regulamentação, o CFF reforça o compromisso da profissão com a saúde pública e com a busca por soluções que beneficiem diretamente os cidadãos. Ao ampliar a contribuição dos farmacêuticos nas estratégias de rastreamento e monitoramento em saúde, a iniciativa fortalece o trabalho integrado das equipes e ajuda a abrir novos caminhos para um SUS com mais acesso, agilidade e qualidade no cuidado.
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